segunda-feira, 14 de março de 2016

Check in no afeto

Postado por Rafaela A. Peres às 12:29
De quantos olhares precisa para se apaixonar?

No meio da multidão a pressa é tanta que se torna impossível enxergar algum rumo, já é hora do embarque e eu adorei o seu casaco preto. Foi assim que nos conhecemos, e ainda não a conheço. O avião decola e nos corredores dele só consigo sentir o seu perfume. Dizem que é ficção sentir sem nunca ter tocado, mas só acredita nisso quem nunca foi amado, o amor transborda nos olhos, o amor é cinza como o cérebro (a respeito do meu daltonismo que me perdoem os doutores). O livro que você está lendo é o mesmo que li na semana passada, nele diz que o imprevisível é que dá sentido a vida, eu acreditei, quando terminei de ler olhei para os lados. Neste momento estará olhando ao seu redor, creio que já constou as páginas cheias. Seu próximo feito é sorrir. E sorriu. Que sorriso lindo. Não sou um maníaco mas foi assim que conheci a mãe dos meus filhos, sorrindo, porque é sorrindo que se termina e começa boas histórias.

Sr Comandante, não deixe o avião pousar ainda não conquistei o coração dela. Pensará eu.

Quanto tempo ainda falta para eu continuar nas nuvens? Pensará eu. Que belo tênis o daquele rapaz. Não é desperdício reparar nos pés, pois os pés é que são o nosso sustento, mas que se dane a sustentabilidade, que audácia é essa de reparar na poltrona ao lado? Foi assim que nos conhecemos, e ainda não o conheço.

Por causa dela, precisarei tomar um ar, acenderei um cigarro no banheiro que balança, só não mais que meus sentimentos com turbinas. A física diz que toda ação causa uma reação.

A minha foi quando a encarei.
A minha foi quando eu reparei que um dos meus assentos estava vazio.

<<A nossa reação foi essa>>

- Me permita a companhia cara tripulante? Só se for do meu lado pensará ela.
- Sim eu permito. Respondeu
E ocupei o espaço ao lado dela.

Toda proeza se inicia com o ‘’Sim eu permito’’ e todo avião pousa quando chega ao seu destino, mas ele não deixa nunca de fazer viagens.
- Quer me dar as mãos?
- Quero.

E estamos como passageiros de poltrona até hoje. Só que dessa vez, como companheiros no sofá da nossa casa.


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2 comentários:

Suely Peres disse...

Lindo e profundo texto filha.

Suely Peres disse...

Lindo e profundo texto filha.

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