sexta-feira, 7 de abril de 2017

Festa Inesquecível

Postado por Rafaela A. Peres às 20:24 0 comentários
Estou na passarela e acabo de esbarrar em alguém, alguém que samba como a globeleza; no doce embalo, sambei também. Taquei confetes ao vento e, sem querer, uma pedra na folia. Puts, era fantasia, para todos os lados purpurina pintava, no meio de todo o alvoroço só escutei baixinho no meu ouvido:
- Tudo bem ter acertado uma pedra em mim, mas e agora, você quer dançar comigo?
Gritei bem alto "Quero" só para ter certeza de que nem a batida da bateria iria atrapalhá-lo em me ouvir.
Num doce embalo a noite se tornou inesquecível, porque era só eu e você, nós éramos a folia.
Fevereiro me trouxe alegria, a poeira do carnaval. Tive seus olhos costurados nos meus, dois botões escuros faziam a sua face, como nos meus sonhos. Pulei marchinhas no mesmo compasse que seus pés mexidos ao lado dos meus.
No sábado foi folia.
No domingo foi folia.
Na segunda foi folia.
Na terça você foi.
E foi para um bloco diferente dos meus, para onde eu não posso ir dançar, mas em meu pensamento te trouxe para cá, para o meu lado, esquecendo sua ausência e lembrando só do calor que sua presença tinha, busquei você e te coloquei na minha sensação, no melhor bloco de todos, o que não vai acabar nunca. Agora você está no meu bloco de notas.
Quem me considera apegada fale agora ou cale-se para sempre.
Mas antes... Existe mesmo alguém que consegue esquecer de todos os carnavais da sua vida?
Se sim, atire agora a primeira pedra na folia.

domingo, 14 de agosto de 2016

Lembranças

Postado por Rafaela A. Peres às 13:16 0 comentários
Eu ainda me lembro do dia em que conheci alguém capaz de mudar a minha vida. 
Naquele dia eu pedi ao garçom dois drinks, sempre achei que gostava dos mais doces até experimentar os mais amargos, sentir aquele líquido escorrendo até o meu estômago me faz lembrar de quando ligo no último volume o som do meu carro, e coloco na nossa trilha sonora, escolho sempre aquela música de plurais, porque ouvir ela nos faz lembrar de quando eu resolvi trocar o chá pelo café, ó companhia gostosa, louca que me fez sair do trilho. 
Posso lembrar que no começo, me senti estranha, e a culpa não era da dor de cabeça, muito menos do vinho que tomei antes da nossa primeira noite, a culpa era desconhecida, e de desconhecido também tinha a gente. 
Abandonei os cigarros e tudo que não me fazia bem, porque dessa vez eu tinha encontrado um prazer melhor, tão mais vistoso que o salto mais caro do nosso shopping preferido. 
Hoje o porteiro até disse que minha pele está bonita, mal sabia ele que o cosmético que usei nela foi produzido na indústria do amor. 
E falando em amor, já não sinto saudades, de distância agora só me lembro dos metros da sala de estar até a janela do meu quarto. 
Lembro que eu tinha medo de olhar para fora, as estrelas me assustavam, não sei bem o porquê, mas hoje admiro cada uma delas, porque percebi que o céu depende delas para ser claro e lindo, e em todas as noites fecho os meus olhos e torço para cair alguma delas na palma da minha mão, pois gostaria de presentear a pessoa mais importante da minha vida. 
Ahh, eu posso, e como posso, lembrarei para sempre do dia em que a conheci, foi ao amanhecer, logo após receber um telefonema com uma voz dizendo "Estou indo embora" foi aí que tive a honra de ter te conhecido, não vou me arrepender de quando tropecei no tapete do quarto e vi o seu reflexo no espelho, naquele momento enxerguei a alma capaz de me deixar de pé, seu rosto era igual ao meu e apenas uma da gente me fez perceber que minha própria companhia é definitivamente nossa maior alegria.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Check in no afeto

Postado por Rafaela A. Peres às 12:29 2 comentários
De quantos olhares precisa para se apaixonar?

No meio da multidão a pressa é tanta que se torna impossível enxergar algum rumo, já é hora do embarque e eu adorei o seu casaco preto. Foi assim que nos conhecemos, e ainda não a conheço. O avião decola e nos corredores dele só consigo sentir o seu perfume. Dizem que é ficção sentir sem nunca ter tocado, mas só acredita nisso quem nunca foi amado, o amor transborda nos olhos, o amor é cinza como o cérebro (a respeito do meu daltonismo que me perdoem os doutores). O livro que você está lendo é o mesmo que li na semana passada, nele diz que o imprevisível é que dá sentido a vida, eu acreditei, quando terminei de ler olhei para os lados. Neste momento estará olhando ao seu redor, creio que já constou as páginas cheias. Seu próximo feito é sorrir. E sorriu. Que sorriso lindo. Não sou um maníaco mas foi assim que conheci a mãe dos meus filhos, sorrindo, porque é sorrindo que se termina e começa boas histórias.

Sr Comandante, não deixe o avião pousar ainda não conquistei o coração dela. Pensará eu.

Quanto tempo ainda falta para eu continuar nas nuvens? Pensará eu. Que belo tênis o daquele rapaz. Não é desperdício reparar nos pés, pois os pés é que são o nosso sustento, mas que se dane a sustentabilidade, que audácia é essa de reparar na poltrona ao lado? Foi assim que nos conhecemos, e ainda não o conheço.

Por causa dela, precisarei tomar um ar, acenderei um cigarro no banheiro que balança, só não mais que meus sentimentos com turbinas. A física diz que toda ação causa uma reação.

A minha foi quando a encarei.
A minha foi quando eu reparei que um dos meus assentos estava vazio.

<<A nossa reação foi essa>>

- Me permita a companhia cara tripulante? Só se for do meu lado pensará ela.
- Sim eu permito. Respondeu
E ocupei o espaço ao lado dela.

Toda proeza se inicia com o ‘’Sim eu permito’’ e todo avião pousa quando chega ao seu destino, mas ele não deixa nunca de fazer viagens.
- Quer me dar as mãos?
- Quero.

E estamos como passageiros de poltrona até hoje. Só que dessa vez, como companheiros no sofá da nossa casa.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O apreço da rotina

Postado por Rafaela A. Peres às 17:06 1 comentários
Acenei e entrei no taxi branco, sentei no banco de couro e reparei que o motorista ouvia jazz e tinha no tapete do carro um ingresso de show - talvez algum outro passageiro tenha deixado por lá. 
Olhando na janela, começo a enxergar as pessoas como vultos, não sei se o gorro amarelo da menina loira foi comprado em uma loja barata ou ganhado de alguém especial, mas caiu super bem.
Recebo um sms no meu celular, era um "Boa noite" do meu atual pretendente, quem sabe aquilo foi da boca pra fora ou apenas do coração?
Levitei minha sobrancelha ao olhar uma criança no farol, me oferecendo uma rosa. O vidro estava fechado.
O barulho das buzinas estressadas incomodam minha mente, acho que os faróis altos impedem todos os juízos das pessoas.
Mais tarde, chegando em casa vejo que todos estão concentrados em smartphones, e então cumprimento o grupo da família.
Já deitada em minha cama, minha mãe pergunta como foi meu dia, e então eu conto que presenteei um motorista com um ingresso e não gastei um centavo, confessei que não deveria mesmo ter comprado o gorro amarelo porque a partir daquela promoção, muitas pessoas iriam o adquirir, ela sorriu e disse "Eu bem que avisei, os brincos de pétalas seriam melhor". Também disse que liguei para o Fred (meu namorado) três vezes e ele não atendeu, só não me ignorou mais que minha própria família que só me avistou depois de um "Olá" com voz ardida, assim que cheguei em casa. Mencionei que hoje consegui dizer a frase "Tome aqui um trocado garoto" a propósito mãe, coloque essa rosa na água por favor?! Ah, após essas desventuras liguei meus fones de ouvido, e me embalei em uma música gringa. Tudo que ela consegue me responder é um "Uau que dia intenso, chegou esse envelope pra você, tenha bons sonhos querida" nos despedimos com um beijo recíproco na testa.
Abri o envelope e era Fred dizendo "Amor, estou embarcando e provavelmente ficarei sem sinal, obrigada por abrir o vidro do táxi e receber a minha rosa, paguei aquele menino para fazer isso por mim, o observei do outro lado da calçada, e moça, obrigada por não mudar a sua rota, e parar sempre naquele semáforo, só pra constar você estava linda hoje. Te amo!"
Me senti uma tola por ter esquecido a data da ida dele até a cidade da avó, e uma traíra por duvidar de um simples "Boa Noite".
Fechei os olhos e sintonizei fortemente uma vontade de acordar amanhã, melhor do que hoje. E o melhor que eu digo, é o de saber declarar considerações.
O abajur desligou sozinho, após eu interligar meus pensamentos com meus sonhos.

A ironia de cada matrimônio

Postado por Rafaela A. Peres às 17:05 2 comentários
Os olhos dela tropeçaram no dele assim que o carro bateu. Sem receio, estava tudo numa boa, apenas um arranhão.
- Prazer, Carlos!
- Laura.
- Podemos fazer o orçamento na cafeteria da rua?
- Podemos.
Ele queria ter dito "Não me arrependi não senhora". Mas só disse: Pago tudo sim senhora.
Ela esqueceu a carteira em cima da mesa. Quando ele a entregou, as mãos demoraram para se soltar.
Casa comigo? Não. A sua casa é a sua casa e a minha casa é a minha casa.
Ela passou a acreditar em amor à primeira vista, toda vez que reparava no retrovisor arranhado. As flertadas dele não foram em vão.
Casa comigo? Não. A sua casa é a sua casa e a minha casa é a minha casa.
Todos os dias eram bonitos, ele abria a porta do carro pra ela e não reclamava quando ela entrava em uma loja de roupas.
Casa comigo? Não. A sua casa é a sua casa e a minha casa é a minha casa.
O jantar de sexta era tudo por conta dele, ela só tinha trabalho em escolher qual batom usar.
Casa comigo? Não. A sua casa é a sua casa e a minha casa é a minha casa.
O cinema de quinta não era clichê, nariz com nariz e delicadeza no toque era tão bom quanto o escuro da sala que cheirava a pipoca.
Casa comigo? Não. A sua casa é a sua casa e a minha casa é a minha casa.
Eu poderia ressaltar mais lembranças mas acabei de lembrar do meu pai dizendo "É meu filho, eu só queria que ela estivesse aqui, para vocês ouvirem o sim que eu ouvi. Sua mãe nos deixou saudades"
Isso é tudo o que só eu lembro do meu pai, o Alzheimer prejudicou suas memórias mais lindas.
- Amor?!
- Fala Fabi
- Solta o porta retrato dos seus pais e me dá ele aqui, preciso tirar o pó dele.
- Aqui está querida, e depois faz um favor? Tire a gelada do freezer.
- Mas você não pode fazer isso?Estou ocupada com a faxina!
- Vem tirar essa toalha molhada de cima da cama!
- Olha a pasta de dente fora do armário.
- Porque você botou a forminha de gelo pra gelar se ela está vazia?
- Abaixa esse tevê.
- Querida a minha casa é a sua casa também, saiba lidar.
- Se você repetir isso, peço o divórcio.
Fabi aceitou se casar e talvez não viveu feliz para sempre mas, assim como Laura, teve inúmeros minutos eternos.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

PALAVRÃO

Postado por Rafaela A. Peres às 14:05 0 comentários

- Olá!
- Pois não
- Estou fazendo uma pesquisa: você poderia me dizer qual palavrão é o mais usado durante a sua rotina?
- A letra.
- Mas moça, ninguém manda o outro a letra que o pariu.
- Mas a letra é um palavrão. Veja bem, o que seria de todas as palavras do mundo sem as letras?
- Seria um branco?
- Um copo de leite?
- Um gelo derretido?
- Um sol gelado?
- Hey, me responde!
- O que será que seria?
- Claramente, esse meu silêncio.

Doce Mariola disposta

Postado por Rafaela A. Peres às 14:03 0 comentários
Célula verdadeira, cliente mau humorado, será que não dormiu bem ou brigou com o namorada?
Olhar seco, mãos ásperas, a senhora estava só com a alma jovem, pois me disse bom dia e obrigada.
Blusa apertada, talvez fossem os quilos a mais, mas isso não vale de nada, já que aquele ser estava feliz.
Pele escura, cabelo bem preso, cheiro único, lábios grossos, nem precisou de troco, minha admiração foi de graça.
-Tia vou querer duas balinhas, minha mãe não deixa eu comer antes do almoço mas ela nem vai saber.
-Tome aqui suas balinhas menino, mas lembre-se, a gente sempre descobre as coisas, mesmo que tarde.
-Pensando bem.... Vou deixá-las para a sobremesa.
E quando o menino chegou em casa, um saco de jujuba o esperava. Não sou vidente, só tenho a certeza que a vida presenteia quem se ousa a seguir boas ações.
Pão e farinha na esteira....
-Vai fazer bolo seu Almir?
-Pão minha querida, pão.
Incrivelmente os ingredientes é que ditam o sabor, e a receita importa mais que a apresentação. Não interessa quem você seja, se conseguir ser o que você realmente é, até quem não é você vai aplaudir. Tudo é questão de ponto de vista, só por favor, não deixe a massa passar do ponto, excessos causam danos na essência.

Amo ser balconista, posso sempre estar vendendo e compreendendo, o segredo é o amor ao achegado.
Ahhh falando do seguinte,

-Próximo da fila, por favor!
 

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